sábado, outubro 1

A viagem para Campos

Organizamos uma viagem para Campos do Jordão. De fato, eu não lembro quem organizou o passeio, para quem eu paguei e como soube, só sei que no dia da viagem estava lá. Era julho, inverno, e o ambiente tinha aquele sol morno, que deixa a paisagem meio amarelada, sabe? Toda moçada, praticamente o grupo todo se reuniu na frente do Iesa para pegar o busão. Que pessoal com cara de maluco!! O passeio iria ser de um fim de semana. O Edson foi até lá, mas não embarcou no ônibus. Homem casado, outras preocupações... Acho que a Marcinha também não foi. Eu aproveitei e levei a minha máquina fotográfica e fui tirando fotos de tudo e, principalmente, de todos. No ônibus, a moçada da pesada ficou no fundão. Eu acho que sentei com a Lú um pouco mais à frente. Se não foi com ela, foi com outra garota. E toca o ônibus a seguir viagem. Os copos e garrafas com bebidas vinham sempre para frente, para a gente bebericar. No meio da viagem, a Cátia, aquela menina linda e maravilhosa, “espanhola”, prima da Rê, namorada do Zé, que eu invejava (afinal ela parecia uma mulher pronta e eu me sentia uma garotinha minúscula perto dela), corre para o banco da gente e avisa: “Meninas, não bebam isso porque aí tem Artani.” Olha, eu não sabia o que era aquilo, mas entendi que não devia beber mesmo. Hoje acho até que deveria ter bebido. Naquele dia passei a achar que aquela garota era bem legal. Chapada, ou prestes a, teve saco para se preocupar com as garotas que ela sabia que eram caretas, mas eram bem legais. Ou seja, nós. Hoje isso parece uma bobagem, mas foi assim que senti no dia.
Chegamos em Campos bem cedinho. Café da manhã em boteco, a Lú se enrolando com o Moisés e eu... Bem, eu tirando fotos de todos. Teleférico, vacas, velhinhas simpáticas nos fazendo agrado, descanso no gramado para horror dos visitantes chiques do pedaço. Aí vem a noite, a pior parte da viagem. Aquele menino loirinho do grupo, cujo nome de propósito eu apaguei da memória, rouba meu cobertor. Que saco!! Ele estava tão chapado que não tinha nem o que argumentar. Ele ria e fugia de mim enrolado no meu cobertor. E eu com frio. Fiquei com tanta raiva que fui para o ônibus, dormir, chorando. Sem companhia, lógico. É que para mim só existiam no grupo duas possibilidades de companhia naquela noite. Uma, ficou em Santo André. A outra, já estava bem acompanhada. Eu, que até aí escolhia sempre com quem eu queria ficar, entendi ali pela primeira o que significava a solidão.