quinta-feira, outubro 20

A propaganda

Para promover o espetáculo, colocamos cartazes por toda a cidade e panfletamos por todos os lados. Acho que até nos orelhões. Mas também, na madrugada, pichamos vários muros: um foi o da frente de casa (morava na Antonio Bastos) e, o pior deles, o muro azul marinho, recém-pintado do Colégio Monteiro Lobato, na Elisa Fláquer. Os pichadores: eu, Edmar, Lu e Rê (não lembro se a Márcia estava). Lembro nossa empolgação quando vimos aquele muro tão azul, tão limpinho, perfeito para a gente escrever o nome da peça, que era enorme: "É Rindo que se Chega Mais Fácil ao Meio do Inferno".
Foi fácil para o diretor da escola descobrir quem tinha feito a sujeira. Ele nos chamou lá. Juramos que não tínhamos sido nós. Mas a Rê ainda tinha a tinta do spray no cabelo e ficava enrolando com o dedo aquela mecha brilhante para disfarçar. É lógico que o homem não se convenceu da mentira. Ele nos chantageou. Disse que se não pintássemos o muro ele falaria com o prefeito e a nossa apresentação estaria cancelada. Era véspera da apresentação, tipo quarta ou quinta-feira. A peça seria apresentada nos dias 5, 6 e 7 de setembro de 1986 (sexta à domingo). O Edmar topou pintar. Alguém mais também topou. Eu não fui. Achei muita humilhação. No fim, o diretor até foi compreensivo: a pintura do muro só foi feita depois do fim de semana do espetáculo.